Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Sensores externos do Airbus congelaram, diz revista francesa

A revista francesa "Le Point" publicou ontem em seu site na internet a informação de que entre as mensagens automáticas recebidas do voo 447 pela Air France haveria a indicação de que sensores externos do Airbus enfrentaram congelamento severo.

Não houve confirmação ou negativa imediata à notícia. Ela tem implicação grande na composição do quadro de especulações sobre o conjunto de fatores que derrubou o avião.

Se congelaram, os sensores podem passar a informar dados errados ao computador de navegação, como altitude e inclinação do nariz. Como ocorreu em dois casos na Austrália no ano passado, esses dados errados podem confundir o computador que controla a estabilidade do avião, desligando o piloto automático e fazendo manobras forçadas por entender que o avião está num movimento incorreto.

A investigação e a própria Airbus afirmam que pilotos de aviões A330 e A340 precisam desligar um dos sistemas de dados de navegação, o ADR-1, quando houver problemas indicados no painel de controle com outro instrumento, o IR (um dos indicadores de altitude). Mas não há previsão do que fazer caso os sensores externos alimentem os computadores incorretamente.

Como a partir das 23h10 o piloto automático foi desligado e uma série de falhas elétricas foi reportada pelo sistema de mensagens automáticas, o fato deverá chamar a atenção dos investigadores --no caso de a "Le Point" estar correta.

Outro problema que poderia ocorrer seria um curto-circuito devido ao sistema de aquecimento automático dos sensores. Se o curto poderia afetar o avião como um todo, é algo para a investigação apurar.

A Air France disse ter recebido dezenas de mensagens automáticas pelo sistema Acars (via satélite), mas não as revela integralmente. Falou apenas genericamente em falha elétrica e despressurização.

Voo 447: C-130 da FAB chega ao aeroporto de Fernando de Noronha

RECIFE - O C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) que trabalha no transporte de suprimentos materiais e pessoal para auxiliar nos trabalhos de resgate e de destroços e corpos de eventuais vítimas do desastre do avião da Air France acaba de chegar ao aeroporto de Fernando Noronha e descarregar várias caixas com saco para cadáveres do Instituto Médico Legal da gerência geral de polícia científica de Pernambuco.


Aeronáutica e Marinha não forneceram qualquer informação, até o momento, a respeito do resgate de vítimas. A equipe de peritos da secretaria da Defesa Social de Pernambuco era esperada, mas ainda não chegou a Fernando de Noronha. Eles estão em Recife, onde aguardam instruções para trabalhar na identificação de corpos e irão a Fernando de Noronha quando forem localizados corpos de vítimas do acidente.


Durante coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira na sede do Cindacta 3, oficiais que trabalham no resgate dos destroços não deram muita esperança de que corpos possam ser localizados.

Marinha brasileira recolhe suporte para carga e boias do Airbus

Rio de Janeiro, 4 jun (EFE).- A Marinha brasileira retirou do mar um suporte para carga de 2,5 metros quadrados e duas boias que seriam do Airbus A330-200 da Air France que, no domingo, caiu com 228 pessoas no oceano Atlântico, informaram fontes oficiais.



"O helicóptero Lynx, embarcado na fragata 'Constituição', recuperou por volta de 13h (de Brasília) um suporte utilizado para a acomodação de cargas em aviões (pallet), de aproximadamente 2,5 metros quadrados, e duas boias", segundo um comunicado da Força Aérea Brasileira (FAB), que comanda as operações de resgate.



De acordo com a nota, os restos foram avistados por um avião C-130 Hercules da FAB, que orientou à fragata Constituição até o lugar.



O primeiro pedaço foi retirado do mar numa região 550 quilômetros ao norte de Fernando de Noronha, de acordo com o comunicado.



"O helicóptero com que conta a fragata 'Constituição' fez o primeiro resgate e transportou o material ao navio, onde se poderá avaliar se pertence ou não ao avião", havia dito mais cedo o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).



Ele informou que todo o material resgatado será levado até Fernando de Noronha e, depois, a Recife, onde será colocado à disposição dos investigadores franceses.



"Até agora não há informações de que tenham sido avistados corpos ou sobreviventes", acrescentou o brigadeiro.



As buscas no mar estão sendo feitas por três navios da Marinha, que enviou cinco embarcações para a área, e por dez aeronaves de Brasil, França, Espanha e Estados Unidos.



A Marinha concentrou a busca no mar em uma área circular com um raio de 120 milhas náuticas e centro no local onde a FAB localizou na segunda-feira uma faixa de cinco quilômetros com restos e manchas de óleo e combustível.



Outra fragata brasileira deve chegar à área no sábado e um navio-tanque estará no local no domingo.

Voo 447: começam a ser recolhidos os destroços que podem ser do avião da Air France

SÃO PAULO - Quatro dias após o desaparecimento do Airbus da Air France que fazia o voo 447, foram recolhidos na manhã desta quinta-feira os primeiros destroços que podem ser da aeronave. Segundo a Aeronáutica, os destroços foram avistados no mar a 550 quilômetros ao norte de Fernando de Noronha, pela aeronave Hércules C-130, da Força Aérea Brasileira (FAB), e recolhidos por volta das 13h por um helicóptero Lynx que fica embarcado na fragata Constituição, da Marinha do Brasil. Segundo o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, os destroços deverão ser analisados para verificar se são ou não da aeronave.

( Veja o vídeo com as buscas aos destroços do avião da Air France )

Na manhã desta quinta, a Aeronáutica anunciou que o avião R-99, equipado com sensores, identificou mais três pontos de destroços, ao sul dos pedaços avistados na madrugada desta quarta-feira - uma peça de sete metros de diâmetro e vários pontos brancos. De acordo com o Comando da Aeronáutica, os novos pontos estão a sudoeste do Arquipélago de São Pedro e São Paulo.

Segundo o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, o que foi visualizado nesta quarta seriam partes internas da aeronave.
- São pedaços marrons, brancos e dois amarelos, que correspondem à parte interna. Cadeiras, material de cobertura e compartimento de bagagens. É esse o material que vai sendo avistado - disse.

A mancha de óleo avistada no mar pelos aviões da FAB já permite à Aeronáutica calcular o local onde o Airbus da Air France teria tocado o mar .

- A mancha vai correndo junto com as correntes. Ela não está no local onde deve ter acontecido o choque com a água porque estava acompanhando exatamente o deslocamento das correntes. Considerando 4 km por hora e o número de horas após o acidente, calculamos a área possível onde estão os destroços - explicou o brigadeiro Cardoso.

( Leia também: cerimônia ecumênica na Candelária reúne 500 pessoas em homenagem às vítimas )

O brigadeiro afirmou que a área a ser vasculhada é de 6 mil quilômetros quadrados e a Marinha já consegue direcionar suas embarcações para os pontos onde estão os destroços, já que eles foram demarcados e a velocidade da correnteza é sabida. Segundo o brigadeiro, a velocidade dos barcos é superior à da corrente marítima. Em mar mais agitado, os navios seguem a velocidade entre 15 e 20 km por hora. Se houver calmaria, a velocidade atinge 40 km.

- Como conhecemos a direção da corrente e a velocidade, fica fácil fazer o planejamento de onde deverão estar os destroços no momento em que o barco chegar. A partir daí, se faz uma busca mais apurada - afirmou.

O cálculo, diz o brigadeiro, está sendo feito para determinar a hora e o local em que os destroços serão alcançados. Na avaliação da Aeronáutica, é muito difícil que correntes marítimas levem destroços ou corpos até terra firme.
- Na direção em que segue a corrente, não existe nenhuma ilha nem um atol onde possam chegar esses destroços. A não ser que haja uma mudança brusca na correnteza. Se nada acontecer, o trabalho de coleta desse material fica por conta dos navios - explicou Cardoso.

Avião investiga ponto de possível material do Airbus mais perto da costa
Um avião R-99, equipado com potentes radares, identificou um ponto bem mais próximo do Brasil, a apenas 110 km a nordeste de Fernando de Noronha e, pela primeira vez, o helicóptero BlackHawk, baseado em Noronha, decolou para fazer a verificação, já que nenhum indício pode ser descartado. O Blackhawk fez buscas durante três horas e meia e retornou ao aeroporto do arquipélago de Fernando de Noronha. A Aeronáutica não informou se houve recolhimento de algum destroço pela aeronave, que tem 6 horas de autonomia de voo.

- São as informações normais do R-99, que apresenta a imagem de objetos não-metálicos dentro da água. Pode ser algum destroço do avião mas pode ser qualquer outra coisa que esteja muito próxima a Fernando de Noronha e não seja parte do avião. Não podemos descartar nenhuma informação - afirmou.

Durante a madrugada, outras cinco aeronaves militares decolaram de Natal com destino à área de buscas - três Hércules da FAB, um P-3 Orion da Força Aérea dos Estados Unidos e um Falcon 50 francês.

No total, onze aeronaves estão mobilizadas na Base Aérea de Natal e em Fernando de Noronha para o trabalho de busca. Nas três bases - Natal, Recife e arquipélago - cerca de 150 pessoas atuam nas buscas.

- Se houver corpos, obviamente terão prioridade, mas começaremos a fazer o recolhimento dos destroços. Se acaso for avistado algum corpo ou sobrevivente, há uma equipe de paraquedistas nas aeronaves que podem fazer esse resgate. Daí, nós suspenderemos todo o trabalho e daremos prioridade a esse resgate. - disse o brigadeiro.

O brigadeiro afirmou que as buscas continuarão pelo tempo que for necessário, mas não há previsão de fazer buscas submarinas. Segundo ele, equipamentos, alojamento e comida já foram providenciados para as equipes de resgate.

Os destroços devem ser transportados até Fernando de Noronha, de onde serão levados por avião até Recife.

- Não há previsão nenhuma de parar com buscas - disse o militar.

França mobiliza 50 investigadores no caso do voo 447

SÃO PAULO - A França já destacou a equipe de especialistas que investigará o acidente com o voo 447, da Air France, que desapareceu no domingo com 228 pessoas a bordo. O grupo de investigação é formado por 30 engenheiros da Airbus e da Air France e 20 peritos do Escritório de Investigação e Análises de Acidentes Aéreos na França (BEA, na sigla em francês). Além do Brasil, a França conta com a ajuda da Espanha - que ontem pela manhã abandonou as buscas por destroços na costa africana -, Estados Unidos e Holanda.



Os 50 investigadores serão divididos em quatro equipes, que se ocuparão de coletar informações com base em destroços que venham a ser recolhidos em alto-mar. Uma delas será encarregada de efetuar as buscas pela caixa-preta do avião. Para isso, terá a ajuda de mecanismos de alta tecnologia, como submarinos robóticos. ?Uma etapa importante é a localização e, se possível, a recuperação da caixa-preta. Mas não podemos contar com ela, já que, até onde se sabe, o acidente aconteceu no meio do oceano (Atlântico), em uma região profunda?, disse o diretor do BEA, Paul-Louis Arslanian.



A equipe dele já trabalha com a hipótese de jamais encontrar explicações conclusivas para o acidente. A busca pelos gravadores de dados e de voz pode levar vários anos e consumir uma fortuna. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o Brasil não tem recursos técnicos, submarinos ou sonares potentes o suficiente para localizar a caixa-preta.

Robô e submarino enfrentarão rigores do mar para buscar caixa-preta

Solucionar o mistério que levou à catástrofe do voo Air France 447 depende basicamente de localizar a caixa-preta do avião, que deve estar a mais de 3.000 metros de profundidade onde a pressão é altíssima e o oceano se mostra completamente escuro. Uma missão nada fácil, mesmo que alguns dos destroços da aeronave sejam encontrados no fundo do mar. Para tentar realizá-la, o governo francês despachou para a região um navio equipado com um robô submergível e um minissubmarino.

A embarcação Porquois Pas, pertencente ao Ifremer (sigla para Instituto de Pesquisa Francês para a Exploração do Mar, em francês), foi enviada para a região em que os primeiros destroços foram avistados pela Força Aérea Brasileira e deve chegar lá no início da semana que vem.

O navio leva a bordo o robô Victor6000 e o submarino Nautile. O primeiro tem a capacidade de passar 72 horas ininterruptas submerso. Com braços robóticos operados remotamente, ele transmite imagens de vídeo para seus operadores, que o controlam do navio acima. Ele pode descer a 6.000 metros de profundidade. É um veículo útil para uma primeira inspeção do leito oceânico, mas tem um inconveniente: não pode transportar passageiros humanos.

Para isso, o Porquois Pas também conta com o Nautile, um minissubmarino com capacidade para três pessoas que também pode descer até 6.000 metros. Com suas poderosas lanternas, ele ilumina o fundo escuro do oceano e permite que olhos humanos vejam padrões impossíveis de se distinguir por canais de vídeo. Os franceses têm orgulho de dizer que o Nautile pode investigar 97% do leito oceânico e listam entre a lista de feitos do veículo a exploração dos destroços do transatlântico Titanic, afundado em 1912 no Atlântico Norte.

Em compensação, o Nautile exige que seus ocupantes saibam exatamente onde estão indo: o veículo permite apenas cinco horas de navegação autônoma

Movimentação de Helicóptero no aeroporto de Fernando de Noronha

São 05:50 do dia 4 de junho e o que se vê é uma movimentação de um helicóptero no aeroporto de Fernando de Noronha. Isso pode informar que os militares encontraram alguma coisa importante, pois essa aeronave participará de forma direta no recolhimento dos destroços. Alguma coisa teria sido avistada pois esta aeronave não tem muito tempo de autonomia de voo.

Comandantes da Aeronáutica do Brasil informaram que foram achados mais destroços pela noite no mar do Atlântico. Esperamos que as buscas tenham sucesso e o desespero das famílias sejam minimizados com o encontro dos corpos dos passageiros do voo da Airbus Air France que iria do Rio para Paris.

Identificação de corpos é o objetivo

Rio - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem que não trabalha mais com a hipótese de sobreviventes do Airbus A330 e que a Marinha e Aeronáutica já têm certeza do local da queda do avião. “O que nós estamos tentando aqui é avistar sobreviventes, ou melhor, restos”. O local de queda, em relação à Ilha de Fernando de Noronha, fica a uma distância semelhante à que separa as cidades de Brasília e Curitiba.

As equipes de resgate já têm pessoal especializado na identificação de corpos. Ontem, três médicos legistas da Polícia Civil do Distrito Federal embarcaram para Recife. Eles são especialistas na identificação de corpos em desastres em massa. A Polícia Federal e o Instituto Médico-Legal de Pernambuco serão os responsáveis pelos exames de DNA nas famílias das vítimas.

Força-tarefa discute plano para receber possíveis corpos

Vítimas

A força-tarefa montada pela pela Polícia Federal (PF) e pelo Comitê de Gerenciamento de Crise da Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco definiu, nessa quarta-feira (3), três planos para receber possíveis corpos ou restos mortais de vítimas do voo 447 da Air France que forem encontrados em alto-mar. A comissão trabalha com cenários hipotéticos para traçar como será o processo de identificação no Instituto Médico Legal (IML), em Santo Amaro, no Recife. O planejamento operacional será concluído em dois dias.

“O primeiro plano ocorrerá se for resgatado um número pequeno de corpos ou fragmentos. O segundo se dará numa condição razoável, que o IML tenha capacidade de atender. Se tivermos acima de 150 restos mortais, entra o terceiro plano. Na minha ótica, temos condições de atender em todos os cenários, mas se a quantidade for grande podemos montar um IML de campanha ou utilizar a estrutura de outros Estados”, declarou o gerente de Polícia Científica, Francisco Sarmento. Caso o instituto precise ser isolado, as atividades de rotina serão transferidas para outros locais, como o Hospital da Polícia Militar, no Derby.

A equipe do IML que viajaria ontem para o arquipélago de Fernando de Noronha para fazer uma triagem inicial de possíveis restos mortais continua no Recife à espera de uma sinalização da Aeronáutica.

Eles serão auxiliados por uma equipe de policiais federais de Brasília, especialistas em identificação humana, que já estão no Recife. A PF enviou dois peritos em medicina, um em odontologia, um em genética e um papiloscopista. “Vamos ajudar no que for preciso na identificação das vítimas. Parte da equipe ficará aqui e outra seguirá para Noronha”, disse o perito em medicina Jéferson Correia, da PF brasiliense.

Dez policiais federais também foram enviados ao Rio de Janeiro e começaram a realizar coletas de materiais genéticos de parentes das vítimas para identificação. Já que Pernambuco não possui laboratório de genética forense, qualquer exame de DNA necessário será realizado na PF de Brasília. “Nosso laboratório em Brasília tem capacidade para absorver 100% da demanda. Os peritos também vão coletar informações pessoais que também possam ajudar na identificação, como anéis e tatuagens”, afirmou o superintendente regional da PF, Paulo de Tarso.

Se forem achados corpos de estrangeiros, o IML liberará o atestado de óbito e preparará o traslado, enquanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitirá documento autorizando o envio para o país de origem. A PF ajudará na liberação da documentação necessária.

INVESTIGAÇÃO demorada, mas um pré-relatório deverá sair até o final do mês

A investigação sobre as causas que provocaram a queda do Airbus A330-200 da Air France no vôo AF 447 deverá ser longa e difícil, como admitem os responsáveis pelo setor de investigação e análise, embora o governo da França pretenda divulgar um pré-relatório até o final deste mês. Allain Bouillard será o chefe das investigações francesas, coordenando quatro áreas de trabalho. Foi ele também o encarregado da investigação do acidente com o Concorde, em Val-d´Oise, ocorrido em julho do ano de 2000.

“Qualquer colocação neste momento é prematura, devido à interpretação especulativa dos motivos apresentados – e são os mais diversos”, afirmou, logo depois do anúncio de sua indicação. Nem mesmo a hora exata do acidente está confirmada, sem contar as dificuldades de coleta do material, Nesta quarta, aviões da FAB avistaram outros restos, um deles a 90 km. da área onde foram avistados os primeiros..

Para tal, será importantíssimo a recuperação das caixas-preta, que podem resistir imersas até 30 dias. Outra dificuldade interposta está em razão da possibilidade de que estejam em grande profundidade, a milhares de metros exigindo um trabalho difícil e perigoso de recuperação.

O minisubmarino Nautile, equipado com robô de busca capaz de intervir em até 6 mil metros no fundo do mar, será um dos instrumentos a serem utilizados. O Nautile, em suas mais de 1,5 mil missões, foi um dos responsáveis pela localização do Titanic.

Mau tempo atrapalha resgate

Depois de três dias de operação no meio do Oceano Atlântico, as equipes de buscas integrada da Marinha e Aeronáutica encontram muitas dificuldades para achar os corpos dos 228 passageiros do voo AF 447. O mau tempo, provocado pelas nuvens cumulonimbus concentradas sobre a região do acidente, e o fato de os destroços serem muito pequenos e estarem distantes 136km um do outro retardam o trabalho dos pilotos das aeronaves, cuja observação é feita basicamente a olho clínico, com sobrevoos a 300metros do mar. Por causa dos percalços, o Cindacta 3 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), no Recife, que coordena o esforço de salvamento, priorizou o resgate dos corpos e fragmentos dos passageiros do Airbus.

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Segundo o tenente-brigadeiro-do-ar Ramon Borges Cardoso, diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), no Recife, a prioridade no rastreamento é feita não apenas por uma razão técnica, mas também em respeito ao sofrimento das famílias. "Os destroços demandam um trabalho maior dos navios para retirá-los da água. Já os corpos poderão ser levados de helicóptero", argumentou. Um outro problema para as equipes é a distância do local em relação ao continente - cerca de 1.200km do Recife - além da extensão da área vistoriada. Segundo cálculos do Salvaero Recife, unidade de salvamento do Cindacta 3, os aviões sobrevoam uma área de 170 mil km2, equivalente ao estado de Pernambuco.


Tenente-brigadeiro-do-ar Ramon Cardoso disse que rastreamento dos corpos será agilizado em respeito às famílias. Foto: Rafael Dias/DP/D.A Press
Apesar dos revezes, Cardoso comemora avanços. "Descobrimos que a área que pressupomos realmente se tratava do local onde o avião caiu e também confirmamos que os destroços pertencem ao Airbus", disse. Ontem, cinco aeronaves (três brasileiras, uma norte-americana e uma francesa) fizeram o rastreamento a partir das 3h até o pôr-do-sol e conseguiram localizar mais destroços. Ao todo, são 11 aviões e helicópteros mobilizados até agora. Além disso, cinco navios rumam à região desde a segunda-feira passada. O naviopatrulha Grajaú, procedente de Natal, chegou ontem às 11h. Horas depois, à tarde, foi a vez Corveta Caboclo. Nenhum deles recolheu destroços ainda. A operação continuou esta madrugada com o apoio do avião R-99, que possui radar noturno de rastreamento eletrônico.

IML - Ontem à noite, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco anunciou três linhas de atuação: com poucos corpos ou fragmentos, até 150 corpos ou fragmentos e todos os corpos. Neste último caso, o IML estuda até solicitar exames traumatológicos e perícias de outras unidades. De acordo com o gerente da Polícia Científica, Francisco Sarmento, uma equipe da Força Tarefa integrada (Polícia Federal, Civil, Militar, Científica e o Corpo de Bombeiros) está pronta para ir à Ilha de Fernando de Noronha e aguarda apenas a autorização da Aeronáutica. Assim que forem localizados, os corpos serão trazidos de helicóptero para o arquipélago e encaminhados ao IML, no Recife. (Colaborou Adaíra Sene)

Voo 447: os riscos na travessia do Atlântico

BRASÍLIA - A aviação é considerada segura, mas não isenta de riscos. E a travessia aérea sobre o Oceano Atlântico para o continente europeu é um exemplo de que há fatores com os quais os passageiros e tripulações não contam. Usuário habitual da rota Rio–Paris, o escritor Paulo Coelho lançou quarta-feira um alerta em seu Twitter a respeito da possibilidade de os pilotos que utilizam as quatro aerovias sofrerem pressões de companhias aéreas para evitarem desvios de rota que possam aumentar o custo da operação. O escritor cobrava o fato de o voo AF447 não ter desviado a rota, apesar da indicação de mau tempo.

“Há dois anos, durante a Copa do Mundo, eu estava no lobby de um hotel na Alemanha conversando com dois pilotos. Eles levantaram o tema: muitas vezes evita-se contornar as CBs (Cumulus Nimbus, as temíveis nuvens de tempestades) para economizar combustível. Acredita-se que o avião resista. Normalmente resiste”, diz Coelho, em nota ao blog de Mauricio Stycer.

Consultado pelo JB, o diretor de segurança do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, diz que não há denúncias, mas confirma que existe uma pressão implícita das empresas aéreas nacionais para evitar a alteração de rotas, que os pilotos seguem mais por complacência do que por obrigação. No caso das companhias francesas, ainda segundo Camacho, como as entidades sindicais atuam pesado, essa pressão dificilmente ocorreria.

Análise é do piloto

Para o diretor de segurança e os pilotos consultados, o aviador é que faz a análise de cada situação, de acordo com sua convicção. É o chamado Pilot Discreption.

– Sabemos que existe a pressão, mas ela não é declarada – disse Camacho, antes de fazer alusão a um incidente similar relatado por outro comandante. No caso, um piloto brasileiro procurou o sindicato anteontem para contar que havia passado pela mesma situação de “forte pauleira” na região do acidente, e que se livrou um minuto depois da pane geral ter ocorrido, (com apagamento total dos painéis) porque o problema se deu já na saída da turbulência. Se fosse no início da tempestade ou da área de turbulência, segundo ele, poderia ter ocorrido uma tragédia. O avião era do mesmo modelo do usado no voo AF447.

Outra característica da travessia transatlântica é a possibilidade de encarar uma tempestade mais violenta na área do Equador, conhecida com Zona de Convergência Intertropical. Tormentas são comuns esta época do ano ali, mas podem ganhar força nunca vista. Radares de bordo, por mais desenvolvidos que sejam, dão indícios ao cockpit mas não são precisos para o julgamento, por exemplo, da espessura da massa de mau tempo adiante. As ondas emitidas encontram a precipitação interna nos CBs e as refletem como barreira. A leitura correta depende da combinação desse dado com outros conhecimentos e a habilidade na percepção visual a partir do clarão dos raios. No caso do Airbus, ocorreu a coincidência de a rota programada coincidir com a área de maior intensidade no momento da passagem. As CBs podem ter chegado a 15 km de altitude. O jato voava a 11 mil metros de altura.

Uma terceira circunstância envolvendo a travessia é a forma de escalação das tripulações. Quando há o sistema de escala de revezamento, dois comandantes e dois copilotos conduzem o jato durante o percurso, alternando horários de trabalho e de descanso. No caso do AF447, o comandante Marc Dubois, 58 anos, 11 mil horas de voo, 1.700 no A330, dividia o manche com dois copilotos, um deles com 6.600 horas e 2.600 na mesma aeronave e o outro com 3 mil horas, 800 no A330.

De acordo com profissionais de aviação com muito tempo nessa travessia, a escala Composta faz com que, às vezes, o comandante mais experiente assuma a decolagem e, depois do jantar, passe para um dos co-pilotos, denominado Cruise Captain – capitão de cruzeiro – e vá descansar no “sarcófago”, logo atrás da cabine. Com isso, em situações críticas, o oficial com maior capacidade pode não ser quem está nos controles. Nessa tragédia, é uma informação que dificilmente se terá.

Agência Europeia de Segurança da Aviação emitiu aviso sobre falha em equipamento

RIO - A Agência Europeia de Segurança da Aviação (Easa) emitiu, em 16 de janeiro, um alerta para os pilotos dos aviões Airbus A330 e A340, sobre ocorrências anormais no equipamento Ecam (Electronic Centralised Aircraft Monitor) desses modelos de aeronave, o que levaria a um "comportamento anormal" que provocaria, por exemplo, repentinos mergulhos em pleno voo, revela reportagem publicada no "New York Times". O problema foi detectado em um voo da companhia australiana Qantas em outubro passado e teria sido precedido do desligamento do piloto automático do A 330 - que também foi desconectado no voo 447 da Air France que caiu no Oceano Atlântico após decolar do Rio, na noite de domingo . Mensagens enviadas automaticamente pelo avião mostram que o desligamento do piloto automático foi seguido de uma série de falhas na parte elétrica do Airbus, que culminaram, quatro minutos depois do início da pane, no desaparecimento da aeronave.

Air France divulga lista com nomes de 53 brasileiros
O alerta sobre as ocorrências de problemas nos dois modelos de Airbus foi dado três meses depois de um incidente envolvendo um Airbus da Qantas, que deixou dezenas de pessoas feridas. O sistema de controle eletrônico de voo do Airbus, que ia de Cingapura para Perth, na Austrália, forneceu "informações randômicas e erradas" aos pilotos, incluindo leituras de queda de altitude e avisos de que o avião estava estolando (perdendo velocidade e suspensão). A aeronave mergulhou de forma abrupta.

Tom Swift, ex-cientista-chefe de fraturas mecânica e metalúrgica da Agência Federal de Aviação dos EUA (FAA), disse ao "NYT" que raios muito severos poderiam causar o mau funcionamento do sistema de controle eletrônico do A-330. Segundo o especialista, se os raios, turbulências ou algum outro problema afetassem esse sistema, os pilotos podem ter tido dificuldade para voar ou a aeronave pode ter iniciado manobras não comandadas pelos pilotos.

No acidente da Air France, teriam se passado apenas quatro minutos entre o início da pane e a queda. Este teria sido o tempo decorrido entre os primeiros sinais de problemas elétricos no avião da Air France que seguia do Rio para Paris, no último domingo, e o desaparecimento da aeronave no Oceano Atlântico. O Airbus A330 teria enviado pelo menos seis mensagens automáticas, entre 23h10m e 23h14m (horários de Brasília), aos computadores da Air France, em tempo real, informando uma sequência de falhas elétricas e de equipamentos fundamentais ao voo.

Traçado plano para identificação de vítimas de acidente

Representantes da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, Polícia Federal e Aeronáutica divulgaram nesta noite (03) o planejamento traçado para o recebimento, análise e identificação de corpos ou fragmentos de corpos dos ocupantes do voo 447, da Air France. Entre as ações previstas está a transferência das atividades de rotina do Instituto de Medicina Legal (IML) de Pernambuco para hospitais públicos da região, caso sejam encontrados um número elevado de corpos ou fragmentos.


Foi definido ainda que a força-tarefa, inicialmente composta por nove especialistas (entre legistas, dentistas e datiloscopistas) - cinco deles da PF vindos de Brasília e quatro ligados ao governo de Pernambuco -, só será enviada a Fernando de Noronha após a confirmação da localização de corpos ou fragmentos. Até lá, o grupo permanece em Recife auxiliando na montagem da estrutura que está sendo organizada na capital.


Equipamentos de apoio ao trabalho dos legistas, como câmaras frigoríficas e máquinas fotográficas de alta definição serão enviadas a partir desta quinta-feira (04) para Fernando de Noronha. Segundo o superintendente da Polícia Federal de Pernambuco, Paulo de Tarso, a equipe técnica que será deslocada para a ilha está apta a fazer o recolhimento, análise e coleta de material de DNA.


"Esse time é formado por gente experiente, que já atuou em casos complexos. O protocolo que adotamos inclui a avaliação minuciosa dos corpos e fragmentos, classificação e coleta do material de DNA, que será enviado a Brasília para análise. O pessoal que está nas bases de Recife e do Rio, e que tem contato com amigos e familiares das vítimas irá auxiliar este grupo com informações preciosas para identificação, como por exemplo, a existência de tatuagens, objetos pessoais que poderiam estar junto aos corpos, como relógios, alianças, pulseiras, etc.", afirmou Paulo de Tarso.


Ainda segundo o superintendente da PF, a repatriação dos corpos ou fragmentos das vítimas estrangeiras ficará a cargo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). "A Polícia Federal, neste caso, irá auxiliar no desembaraço dos trâmites burocráticos, mas o repatriamento dos corpos ou fragmentos é de competência da Anvisa já que ao embarcarem no Rio os passageiros estrangeiros oficialmente cumpriram os trâmites legais para deixar o País e o acidente aconteceu em uma área de águas internacionais." Na avaliação de Tarso, o laboratório da PF em Brasília tem capacidade para atender a toda a demanda gerada pelo acidente.


De acordo com o secretário executivo de Defesa Social, Cláudio Lima, tanto a equipe que seguirá para a ilha quanto a que irá permanecer em Recife - poderão receber reforços a qualquer momento. "Estamos trabalhando com vários cenários. Diante de uma tragédia como essa, temos que pensar em todas as possibilidades. Estamos prontos para atender desde a mínima até a máxima demanda Para isso contamos com toda a estrutura do Estado e a preciosa colaboração da Polícia Federal, da Aeronáutica e dos estados vizinhos, como a Bahia, que já se colocou à disposição para auxiliar no que for necessário."


Para o gestor da Polícia Civil pernambucana Francisco Sarmento, as próximas 48 horas serão decisivas para o fechamento de algumas lacunas ainda existentes no planejamento traçado pela força-tarefa. "Há algumas pontos que precisam ser definidos, mas não há como fazer isso neste momento. Os próximos dois dias serão decisivos", concluiu. Na manhã desta 4ª feira (03), equipes da Polícia Federal começaram a recolher, no Rio de Janeiro, material genético de parentes dos passageiros do voo AF 447. As informações formarão um banco de dados para facilitar o trabalho de identificação dos corpos.(AE)

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Voo 447: Turbulência pode ter levado comandante a desligar piloto automático do Airbus

SÃO PAULO - O piloto Marc Dubois, 58 anos, pode ter desligado o piloto automático do avião para atravessar a turbulência na aerovia UN873, que seguia rumo a Paris. Aos 58 anos, 21 anos de Air France e 11 mil horas de voo, Dubois é considerado um piloto experiente. Pelas regras internacionais de aviação, o piloto automático só deve ser desligado durante o voo diante de uma turbulência moderada a severa, justamente a que, imagina-se, tenha sido enfrentada pela tribulação da companhia francesa.

A revista virtual "Aviation Herald", especializada em acidentes aéreos, afirma que o piloto automático estava desativado durante os quatro minutos e que mensagens automáticas foram disparadas pela aeronave ao centro de controle da Air France neste período - entre 23h10 e 23h14. O avião voava a 35 mil pés, segundo a FAB. A Air France informou que recebeu apenas aviso automático de pane elétrica, seguido de despressurização da cabine. A informação foi confirmada pela Força Aérea Brasileira, acrescentando que a posição da aeronave no momento dessa mensagem era N3.5777 W30.3744.


Mas a revista Aviation Herald afirma que, segundo fontes da própria Air France, o sistema Acars, que transmite mensagens entre o avião e a central da companhia, registrou outros comunicados, entre 2h10m (23h10m horário de Brasília) e 2h14m. O primeiro indicava que o piloto automático do avião havia sido desligado e que o controle de voo havia sido mudado. Diz ainda que, entre 2h11m e 2h13m, foi registrada uma sequência de mensagens indicando falhas nos sistemas ADIRU e ISIS. Em seguida viram sinais de falha de PRIM 1 e SEC 1. Precisamente as 2h14m, chegou a última mensagem, de velocidade vertical, indicando a queda do avião. Essa sequencia de mensagens não foi confirmada por outras fontes.


- Numa condição de pane elétrica, com despressurização, o piloto tem de descer o mais rapidamente possível. Mas numa turbulência, qualquer movimento rápido pode causar ruptura na estrutura do avião, o que deve ter acontecido - diz o consultor e piloto George Rocha, especialista em aviação civil.

Segundo Rocha, alguns pilotos costumam se desesperar e tentam sair rapidamente da turbulência, o que poder ser um erro. No caso do piloto da Air France, porém, pode não ter lhe restado outra alternativa, já que a despressurização poderia ter ocorrido antes.

Rocha afirma que, apesar da Rede de Meteorologia da Aeronáutica (Redemet) ter indicado mau tempo na rota, o piloto não deve ter visualizado a tempestade a tempo. Ao contrário, deve ter sido surpreendido pela turbulência. Não fosse assim, acrescenta, teria conseguido desviar, aumentando - e não diminuindo - a altitude do voo.

- É preciso ir para o lado oposto de onde está tormenta. Eu mesmo fiz isso num voo para Miami, quando de desviar de um furacão - conta.

O consultor não acredita que o piloto tenha reduzido a altitude do voo para escapar da turbulência. Na avaliação dele, se isso aconteceu, é porque o avião já havia se despressurizado.

Aeronáutica permite que pilotos falem sobre as operações de busca

O comando da Aeronáutica autorizou pela primeira vez que pilotos que participam da busca do Airbus da Air France, desaparecido desde a noite do último domingo, falem com a imprensa sobre o andamento da operação.

A Aeronáutica liberou um piloto brasileiro, um francês e um americano para que eles possam relatar como as buscas estão acontecendo.

Quatro novos destroços são localizados no Oceano Atlântico

Novos destroços que poderiam ser do avião AF 447 foram encontrados no Oceano Atlântico. Segundo o subchefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, coronel Jorge Amaral, quatro pontos diferentes foram localizados por uma aeronave R-99 a 90 quilômetros ao sul da região inicialmente coberta pelas buscas. Uma mancha de óleo que teria 20 quilômetros de extensão também foi localizada. Um objeto de sete metros de diâmetro encontrado, pode ser uma parte da cauda ou da fuselagem da aeronave.

Ainda não há confirmações que os destroços pertençam ao avião desaparecido. A Aeronáutica afirma que até o momento, nenhum corpo foi encontrado e se trabalha com a possibilidade de se encontrar sobreviventes. No total, 11 aeronaves da Aeronáutica estão percorrendo a área de busca. Elas saem de Natal e Fernando de Noronha.

Pane elétrica causou acidente com Airbus, diz especialista

Segundo a Folha da Região de Araçatuba.

RedaçãoQuarta-feira - 03/06/2009 - 17h36São Paulo - Uma falha grave na parte elétrica do Airbus da Air France ou na manutenção de equipamentos, somadas à turbulência, devem ser confirmadas em breve pela companhia aérea como as causas da queda do avião no oceano Atlântico. A análise foi feita com exclusividade à BandNews FM pelo integrante do comitê de segurança de aeronaves da Agência Federal de Aviação norte-americana, Hans Weber.

Ele investigou as causas dos incidentes envolvendo dois Airbus da companhia aérea australiana Qantas, de modelo idêntico ao que desapareceu dos radares de controle quando fazia o trajeto Rio de Janeiro - Paris no último domingo (31). No total, 228 pessoas estavam a bordo, sendo 216 passageiros e 12 tripulantes. (Com informações do portal UOL)

PEÇAS DO AVIÃO SE DESPRENDERAM EM PLENO VOO, DIZ PERITO

ROMA, 3 JUN (ANSA) - O chefe do Serviço de Inspeção de Segurança de Voo da Aeronáutica italiana, Luca Valeriani, afirmou hoje que a forma como se dispersaram os destroços do Airbus A330 da Air France que caiu no Oceano Atlântico demonstra que suas peças se desprenderam durante o voo.

"Os primeiros indícios relativos à disposição dos destroços sugerem a hipótese de uma desintegração em voo", reitera Valeriani, advertindo, contudo, que isto não significa necessariamente que houve a explosão de uma bomba em pleno voo.

"Uma explosão pode ser causada por fatores diferentes, como, por exemplo, pelo vazamento de gás e vapor de combustível que pode ter sido inflamado por um fator externo, como uma descarga elétrica", explicou o perito.

Valeriani disse ainda que as peças podem ter sido desprendidas por conta de um problema mecânico. "Por exemplo, o rompimento das asas ou da cauda pode causar em pouquíssimos segundos a completa desintegração do avião".

A disposição dos destroços também ajudará as autoridades a reconstruir a trajetória da queda da aeronave. "Só este elemento permitirá circunscrever a área das buscas", observa Valeriani.

Isso será possível por que peças mais pesadas, como motores, tiveram uma trajetória de queda diferente de partes mais leves da aeronave, como asas e painéis. Além disso, as peças mais densas afundam diretamente, ao passo que outras são carregadas pelas correntes marítimas.

Desta forma, o estudo das diferentes trajetórias permitirá definir a área em que navios e aviões de patrulhamento deverão concentrar as buscas.

A aeronave da Air France desapareceu na madrugada de segunda-feira, quando levava 228 pessoas do Rio de Janeiro para Paris. A suspeita mais forte até o momento é de que o avião tenha sofrido uma pane elétrica ao passar por uma forte tempestade. (ANSA)

Saiba por que a lista de passageiros demora

A Anac espera para hoje a autorização para divulgar os nomes
Embora a companhia Air France não tenha se comprometido com um prazo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) espera para hoje a autorização para divulgar a lista oficial dos passageiros do voo 447, já em posse da agência. A divulgação dos nomes depende da interpretação de diferentes legislações, a brasileira e a francesa.

O centro da polêmica é que, de acordo com a legislação francesa, empresa e veículos de comunicação não podem divulgar lista alguma. Cabe à empresa comunicar as famílias e estas, se desejarem, tornar os nomes públicos. Até a noite de ontem, a Air France apenas divulgou a nacionalidade dos passageiros.

Conduta semelhante têm os principais jornais franceses. O Le Monde e o Libération não mencionam os nomes de nenhum passageiro ou tripulante. Também não são citados nomes ou declarações de familiares das vítimas. O Le Figaro também não traz listas, mas reproduz o depoimento da familiar Liliane Pawlak para a agência de notícias AFP. Sua filha e o genro estavam a bordo do avião. O jornal também cita uma empresa de distribuição de materiais elétricos que teria perdido 10 funcionários no voo, a CGED, mas preserva nomes.

No Brasil, a maneira como as empresas aéreas devem proceder está descrita em documento elaborado pelo Departamento de Aviação Civil, em 2005, e hoje de responsabilidade da Anac. O IAC (Instrução de Aviação Civil) 200-1001 prevê que os nomes dos passageiros sejam mantidos em sigilo até que os familiares sejam notificados. Depois disso, a empresa deve divulgar a lista, mas não é estabelecido prazo. Fica a critério da empresa responsável pela aeronave fazer divulgações parciais, mediante o andamento das notificações às famílias.

– Mais do que uma questão legislativa, trata-se de um código de ética. O que se busca é evitar que as pessoas fiquem sabendo primeiro pela imprensa que um familiar estava no voo. É uma responsabilidade do setor de relações públicas da empresa área, mas fiscalizada pela Anac – avalia o coronel Antonio Junqueira, especialista em segurança de voo contratado pela Câmara dos Deputados para análise dos acidentes com os voos 1907, da Gol, e 3054, da TAM, durante a CPI do Caos Aéreo, encerrada em setembro de 2007.

De acordo com a assessoria de comunicação da Air France, a lei francesa não impede que seja cumprida, no Brasil, a determinação de que a empresa divulgue a lista dos passageiros. A empresa, no entanto, reitera que a lista pode não ser divulgada hoje e que não deverá conterá os nomes dos 228 passageiros, pois a vontade das famílias será respeitada caso elas desejem manter sigilo, independentemente da nacionalidade dos passageiros.

A informação de que a lista só conterá nomes autorizados pelas famílias foi confirmada em entrevista coletiva pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Como responder as dúvidas do seu filho

Seu filho pequeno parece impressionado com a tragédia do voo 447 da Air France. Você não sabe se fala para ele sobre o que aconteceu. Ou ainda: não sabe o quanto fala ou como fala. Qual a melhor maneira de abordar um assunto tão triste e tão delicado? Quem sabe não seria melhor inventar uma historinha? Ou fingir que nada aconteceu?

O psicanalista e escritor Celso Gutfreind, autor de livros para crianças como O Caminho do Pintor e de ensaios psicanalíticos como As Duas Análises de uma Fobia de um Menino de Cinco Anos, tem algumas dicas. Acima de tudo, diz ele, os pais devem contar a verdade:

– A verdade faz bem à criança.

- Em primeiro lugar, os pais devem prestar atenção no desejo da criança. Não devem impor o assunto. Não devem confundir a sua própria ansiedade com a eventual ansiedade de seu filho.

- Se a criança manifesta uma curiosidade sobre o assunto, os pais devem prestar atenção ao que ela quer saber – e não àquilo que eles querem contar. Devem limitar-se a responder aquilo que o filho está perguntando, nada além.

- Em qualquer situação, os pais devem contar a verdade. Não precisam enrolar. A verdade faz bem à criança. Mentir é muito pior.

- No modo de contar, entra a criatividade dos adultos responsáveis. Cada pai tem um vocabulário próprio, que ele construiu ao longo do tempo junto com o filho. As pessoas que melhor conhecem os filhos pequenos são os pais. Não existe um jeito único de contar. Como responder a dúvidas do seu filho

Mudança em relação ao envio do destroços

Mudaram o local do envio dos destroços. O comando da Aeronáutica tinha decidido que levaria os objetos encontrados para a ilha de Fernando de Noronha. Hoje a noite decidiram que os destroços seriam enviados a base da Aeronáutica de Recife.

Veja o lugar da queda


FAB encontra mais destroços do AF 447 no Atlântico

Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) encontraram na madrugada desta quarta-feira novos destroços do jato da Air France que desapareceu no Atlântico com 228 pessoas a bordo, após a confirmação de que a aeronave caiu no mar durante o trajeto Rio-Paris, informou uma fonte da FAB.

"A noite não passou em branco, foram encontrados mais destroços", disse a fonte, acrescentando que não poderia dar mais detalhes antes que as famílias dos passageiros fossem comunicadas sobre as novas informações. Perguntada se foram encontrados corpos, a fonte afirmou: "Não, apenas destroços."

A confirmação de que os primeiros destroços do Airbus A330 foram encontrados foi dada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, na tarde de terça-feira, após reunir-se com familiares dos passageiros no Rio. De acordo com a Força Aérea, a quantidade e o tipo de material avistado -peças brancas, fiação e manchas de óleo dispersos por cerca de 6 quilômetros - levou à conclusão de que os destroços pertenciam ao Airbus que fazia o vôo AF 447.

Os militares brasileiros, que entram no terceiro dia de buscas, prosseguiram durante a madrugada a operação na área em que foram encontrados os primeiros destroços, a 150 km do local onde o Airbus A330 enviou uma mensagem automática informando que sofria problemas técnicos quatro horas após decolar na noite de domingo.

Uma aeronave de sensoriamento R-99 iniciou as buscas noturnas e, durante a madrugada, três aviões C-130 Hércules sobrevoaram a região. Cinco embarcações da Marinha se dirigiam à região onde foram encontrados os destroços, incluindo um navio-tanque. A primeira delas, o navio patrulha Grajaú, deve chegar à região às 18h desta quarta-feira.

Inicialmente, a expectativa era de que o navio chegasse às 11h, mas essa estimativa foi adiada devido a condições climáticas que impedem que a embarcação se locomova a uma velocidade maior. Um navio da França, capaz de realizar exploração no fundo do mar, também ajudará nas buscas. Três navios mercantes estão desde terça-feira no local indicado pela FAB colaborando nas buscas.

O acidente
O Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo (31), às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília).

De acordo com nota divulgada pela FAB, às 22h33 (horário de Brasília) o vôo fez o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III). O comandante informou que, às 23h20, ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal.

Às 22h48 (horário de Brasília) a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta, segundo a FAB. Antes disso, no entanto, a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11 km) de altitude.

A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). A equipe de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário de Brasília

Submarino que encontrou o Titanic vai ajudar nas buscas

Submarino que achou o Titanic

Segundo a BBC, o mini-submarino francês Nautile, usado em operações de busca das carcaças do Titanic, deverá participar do resgate das caixas-pretas do avião da Air France. O Nautile, que também ajudou nas buscas pelo petroleiro Prestige, que causou um desastre ecológico na Europa em 2002, está sendo levado para o local onde os destroços do avião foram vistos, a cerca de 700 quilômetros de Fernando de Noronha, pelo navio francês Pourquoi Pas. O mini-submarino, normalmente operado por dois pilotos e um observador , é equipado com braços motores e pinças e pertence ao Instituto Francês de Pesquisas para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês). Ele deve integrar as operações de busca a pedido do governo francês. O Nautile foi o primeiro submarino a alcançar a carcaça do Titanic, que estava no fundo do mar desde 1912, depois que o navio foi detectado por sonares franceses no Atlântico Norte. Desde o início de suas operações, em 1984, o Nautile já realizou mais de 1,5 mil trabalhos de busca. O submarino pode mergulhar a profundidades de até 6 mil metros.

4 minutos da 1ª pane até a queda

As mensagens automáticas recebidas pela sede da Air France, em Paris, indicam que a tragédia do voo 447 se desenhou em apenas 4 minutos. O primeiro sinal de um possível problema a bordo chegou às 23h10 (hora de Brasília) do domingo, dando conta de que o piloto automático do Airbus A330-200 havia se desconectado. As mensagens seguintes apontam para uma sucessão de graves panes em alguns dos principais computadores do jato. O último alerta foi emitido às 23h14: "cabin vertical speed" (cabine em velocidade vertical, na tradução do inglês).

A informação final, dizem investigadores militares, pode ter duas leituras: queda livre ou uma brusca variação de pressão dentro da cabine, ocasionada por uma descida mais rápida do que o comum. Como a tripulação do A330 não fez nenhuma tentativa de comunicação por rádio e nem a companhia aérea recebeu outros alertas, é possível que esse seja um "indício técnico" de que o avião caiu no Oceano Atlântico.

Após dois dias de buscas, destroços foram identificados a 1.200 quilômetros do Recife, na madrugada de ontem, por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). A confirmação da tragédia, a maior da aviação civil internacional desde 2004, coube ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que se reuniu com as famílias das vítimas ontem à tarde em um hotel da zona oeste do Rio.

O avião da Air France tinha 228 passageiros - 59 brasileiros, segundo a companhia aérea. Mas havia brasileiros e estrangeiros com dupla nacionalidade. A lista oficial de vítimas deve ser divulgada hoje. Leia mais em: 4 minutos da 1ª pane até a queda

Destroços avistados às 05h00 (hora de Lisboa)

O primeiro conjunto de destroços foi detectado por um avião Embraer R-99 da Força Aérea Brasileira (FAB) equipado com radar. Na ocasião já se admitia que poderiam pertencer ao voo 447 da transportadora Air France.

Os vestígios, adiantava em Brasília o coronel Jorge Amaral, subchefe de comunicação da FAB, incluíam uma cadeira, uma bóia alaranjada, querosene e óleo.

O porta-voz da Força Aérea sublinhava na ocasião que não estavam em condições de confirmar se os destroços pertenciam Airbus.

O responsável brasileiro afirmava que era "necessário que sejam retiradas das águas essas peças" e que uma delas apresentasse "um número de série".

Navios mercantes dirigiram-se durante a tarde para o local para retirar do mar as peças encontradas.

As autoridades brasileiras confirmam agora que os destroços avistados pelo Embraer brasileiro pertencem de facto ao avião da Air France desaparecido.

O Estado-Maior das Forças Armadas francês disse hoje não ter dúvidas de que os destroços encontrados no Atlântico pertencem ao A330 da Air France

Paris, 03 Jun (Lusa) - O Estado-Maior das Forças Armadas francês disse hoje não ter dúvidas de que os destroços encontrados no Atlântico pertencem ao A330 da Air France, embora considere ainda necessária uma "confirmação formal".

"Apesar de ser ainda necessária a confirmação formal através da recuperação dos destroços e da sua análise técnica, já não é possível haver dúvidas", disse aos jornalistas o capitão Christophe Prazuck, do Estado-Maior.

Acrescentou que um aparelho francês de patrulha marítima Atlantique 2 sobrevoou nas últimas horas a zona onde na terça-feira a Força Aérea brasileira descobriu os destroços do A330 da Air France, desaparecido com 228 pessoas a bordo.

Granizo pode ser o motivo da queda

As pedras de "granizo gigante", como são chamados os blocos de gelo encontrados nas nuvens cúmulos-nimbo, podem ter danificado e contribuído para o acidente com o avião da Air France. A hipótese foi levantada pelo diretor técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA), comandante Ronaldo Jenkins.

Ontem, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o avião Hércules KC-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) encontrou uma faixa de 5 km de destroços de avião na área brasileira do Oceano Atlântico, na região do Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Segundo ele, "não há a menor dúvida que os destroços são do avião da Air France".

O acidente
O Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo (31), às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília).

De acordo com nota divulgada pela FAB, às 22h33 (horário de Brasília) o vôo fez o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III). O comandante informou que, às 23h20, ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal.

Às 22h48 (horário de Brasília) a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta, segundo a FAB. Antes disso, no entanto, a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11 km) de altitude.

A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). A equipe de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário de Brasília).

Dois aviões da Lufhtansa devem dar pistas à Air France

A agência climática da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta terça-feira que tem informações preliminares indicando que as duas aeronaves registraram dados sobre a temperatura e os ventos. As aeronaves, no entanto, não estavam equipadas para transmitir automaticamente informações sobre a turbulência.

Aviões de busca do Brasil localizaram destroços no oceano Atlântico nesta terça-feira. As peças podem fazer parte dos restos do voo 447 da AirFrance que levava 228 pessoas e sumiu em uma tempestade na madrugada de domingo para segunda.

Herbert Puempel, chefe da divisão de meteorologia aeronáutica da OMM, disse que é altamente improvável que um raio ou que o mau tempo tenha causado o acidente, mas que eles podem ter contribuído.

"Dois aviões da Lufthansa estavam nos arredores, mas como não sabemos o lugar exato do acidente, é extremamente difícil dizer o quão perto eles estavam", disse Puempel à Reuters.

Acredita-se que as duas aeronaves iam da América do Sul para a Europa, mesma direção do voo Paris-Rio da Air France, com cerca de 30 minutos de antecedência.

"É difícil avaliar o valor dessa observação quando você não sabe a distância em que ela foi feita", afirmou. "Mas as observações certamente serão usadas pelo grupo de investigação."

Mais de 5 mil aeronaves coletam dados para o Aircraft Meteorological Data Relay Programme, da OMM (programa de transmissão de dados meteorológicos por aeronaves, Amdar na sigla em inglês). Os dois aviões da Lufthansa participam do sistema, mas não o voo da AirFrance, de acordo com a agência sediada em Genebra.

Os dados servem para a previsão do tempo e para os sistemas de alerta contra desastres naturais.

Fenômenos climáticos associados a tempestades com raios normalmente bastante localizados e breves, disse Puempel. Se um avião registra turbulência, é improvável que outro que passe pela área a perceba mesmo que isso ocorra pouco tempo depois.

Navios e mergulhadores reforçarão busca em área de destroços

SÃO PAULO - Dois navios-patrulha da Marinha brasileira chegarão ao local onde foram encontrados destroços do Airbus da Air France na quarta-feira, 3, por volta das 11 horas, com equipe de mergulhadores e equipamentos próprios para intensificar a operação de resgate do que sobrou do avião, informou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, nesta terça. Em entrevista coletiva, o ministro afirmou que já foram identificados diversos materiais que compõem uma aeronave (fios e metais) em uma faixa de cinco quilômetros de extensão, localizada a 1.200 quilômetros do Recife, próximo aos arquipélagos de São Pedro e São Paulo, dentro dos limites territoriais brasileiros.

Jobim disse que o que for localizado pela Aeronáutica e pela Marinha na quarta-feira deverá ser transportado, por navios, até um local que fica a 400 quilômetros de Fernando de Noronha. De lá, helicópteros transportarão o material até Fernando de Noronha, onde peritos da Polícia Federal e do Instituto Médico Legal (IML) realizarão uma perícia. Segundo ele, a demora para chegar ao local ocorre porque que os barcos se deslocam a uma velocidade equivalente a 30 km/h.

O ministro revelou que já não há mais dúvidas de que os destroços já encontrados são do Airbus A330, que desapareceu na noite de domingo, dia 31, nas proximidades da costa brasileira. O avião da companhia Air France fazia o Voo 447 Rio-Paris e deveria ter chegado ao seu destina na segunda-feira, dia 1º, às 6h (horário de Brasília).

"Avistamos uma faixa de cinco quilômetros de destroços, o que confirma que o avião caiu naquele local." Ele destacou que as buscas estarão concentradas, a partir de agora, no local onde foram avistados os destroços. O ministro evitou falar nas hipóteses que levaram à queda do avião nessa região. Segundo ele, mesmo com os destroços de avião visualizados na superfície do oceano, é impossível dizer se o Airbus da Air France explodiu no ar.


Corpos

Jobim disse que já solicitou ao Ministério das Relações Exteriores que comunique ao governo francês que o governo brasileiro vai começar as buscas dos corpos, os quais serão encaminhados para Recife. "Não vamos disputar nada com ninguém, temos uma parceria com a França nessas buscas. Ficou claro que os corpos, se encontrados, serão conduzidos para Fernando de Noronha e para Recife num segundo momento", disse o ministro. Os navios da Marinha estarão equipado com botes salva-vidas para o caso de serem encontrados sobreviventes.

As investigações sobre as causas do acidente serão conduzidas pela França, afirmou Jobim. De acordo com ele, convenção da Organização de Aviação Civil Internacional da ONU determina que as investigações sejam conduzidas pelo país de registro da aeronave. Jobim acrescentou, no entanto, que todos os países que tinham passageiros dentro do voo devem colaborar com o trabalho. Perguntado se acreditava na hipótese de haver sobreviventes, o ministro afirmou: "Não trabalho com hipóteses". Ele reiterou que não há prazo para encerrar as buscas.

Sobre a caixa preta, o ministro admitiu que a busca será um trabalho "de grande dificuldade". Isso porque segundo ele, trata-se de uma região com profundidade de 2 mil a 3 mil metros.


Destroços

Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) visualizaram nesta terça-feira, 2, destroços de uma aeronave no oceano Atlântico a cerca de 650 quilômetros de Fernando Noronha durante operação de buscas da jato da Air France que desapareceu com 228 pessoas a bordo. "Foram encontradas peças metálicas e não-metálicas, incluindo poltronas", disse à Reuters por telefone o chefe de relações de imprensa da Aeronáutica, o tenente-coronel Henry Wilson.

Entre os objetos estavam uma poltrona de avião, pequenos pedaços brancos, uma bóia laranja, um tambor, além de vestígios de óleo e querosene, informou a FAB em comunicado.

Um navio mercante holandês que estava em rota comercial desviou seu trajeto a pedido da Marinha e chegou ao local onde a FAB avistou os destroços, informou a Marinha, acrescentando que por enquanto a embarcação não relatou ter encontrado nada. Outros dois navios mercantes estavam a caminho do mesmo local. "Navios mercantes têm uma função específica de recolher sobreviventes, mas podem também nos passar informações se avistarem algum destroço", disse Henrique Afonso.


Voo 447

O Voo 447 levava 126 homens, 82 mulheres, 7 crianças e um bebê, além dos 12 tripulantes - 3 tripulantes técnicos e 9 comissários. Segundo a companhia, a aeronave entrou em funcionamento em 2005 e recebeu manutenção pela última vez em 16 de abril deste ano. O acidente é o mais grave da história da empresa, caso não sejam encontrados sobreviventes.

Segundo a relação divulgada pela Air France, dos passageiros do Airbus desaparecido, são 61 franceses e 58 brasileiros. Porém, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a Polícia Federal apurou que 52 brasileiros estavam no voo - mais tarde alteraram o número para 57 -, e muitos desses passageiros têm dupla nacionalidade - brasileiros com naturalidade francesa e vice-versa -, o que dificulta o trabalho de checagem na lista de passageiros, que está sendo feito com ajuda da Polícia Federal.

Além disso, viajavam 26 alemães, nove italianos, seis suíços, cinco libaneses, quatro húngaros, três eslovacos, três noruegueses, três irlandeses, dois americanos, dois espanhóis, dois marroquinos e dois poloneses. Havia também um cidadão de cada um dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Islândia, Estônia, Gâmbia, Holanda, Filipinas, Romênia, Rússia, Suécia e Turquia. Ainda não há previsão para a divulgação da lista com o nome dos passageiros.


Causas

Os motivos para o desaparecimento do Airbus A330 da Air France seguem desconhecidos. A Air France fez um relato das horas seguintes a sua decolagem do aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, às 19h (Brasília), de domingo. Segundo a companhia, o avião atravessou uma zona de tempestades e turbulências fortes que poderiam ter afetado seus circuitos elétricos. Durante o voo, a 1.228 quilômetros de Natal, a aeronave informou perda de pressurização. O diretor de comunicação da companhia, François Brousse, declarou que também é possível que o avião tenha sido atingido por um raio.

Outra possível causa é a condição climática da região onde o avião teria desaparecido. Trata-se da chamada zona de convergência intertropical, onde há a formação de muitas áreas de instabilidade, com raios e tempestades. De acordo com a meteorologista da Climatempo, Fabiana Weykamp, esta hipótese não pode ser descartada, mas ela destaca que esta zona de convergência intertropical é muito conhecida de pilotos e companhias aéreas. Portanto, esta instabilidade da região seria levada em conta no plano de voo da aeronave da Air France.

A falta de explicações para o acidente obrigou o diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, e o ministro da Ecologia e dos Transportes da França, Jean-Louis Borloo, a admitirem, ainda na noite de ontem, que a hipótese de ato terrorista não está sendo ignorada. "Nada pode ser descartado", afirmou Borloo. Embora o Brasil não seja alvo de ações terroristas, a França é, constantemente, objeto de ameaças provenientes de grupos islâmicos extremistas.

Mesma opinião foi manifestada pelo ministro da Defesa francês, Herve Morin. "Não podemos descartar um ato terrorista já que o terrorismo é a maior ameaça às democracias ocidentais, mas nesse momento não temos qualquer elemento indicando que tal ato tenha causado esse acidente", afirmou à rádio Europe 1, segundo a Reuters.